02 ago 2015

Araci: sua marca no mundo

Espetáculo despertou reflexões e aproximou o público da temática LGBT

Na noite do domingo, 19, na Sala Preta do Ctan, para um público restrito, mas seleto, um grupo de teatro despertou arrepios, indignação, aceitação e reconhecimento. Araci. A mão do dia, a aurora. Em tom metafórico, despertamos. A aurora naquela noite fria de domingo foi a ideia de reflexão. Jovens atores, graduandos do curso de Teatro, foram os protagonistas.

Com uma trilha sonora arrepiante, o espetáculo começou, deixando claro a que viera: saia do armário. Como se passassem por um portal, os protagonistas iam de um lado para o outro – aceitação e negação. Eram esses os lados. Não havia meio termo.

A escolha de sair do armário carregava consigo a vasta gama de preconceitos de uma sociedade intolerante. O espetáculo é uma conversa íntima com as escolhas pessoais e as barreiras encontradas no processo dessas escolhas. Em meio a padrões sociais engessados, a imposição de como ser e agir é a base da conversa. Para ser “sapatão”, veja Orange Is The New Black, vista-se como um homem. “Pegue no copo direito!” “Homem não pega o copo desse jeito!” Homens de salto, batom e langerie, quanta “astúcia”!

É por intermédio de falas marcantes e detalhes minuciosos do cotidiano que a peça mostra como, por pequenos atos – como a maneira “correta” de segurar um copo, o modo ideal de se sentar – as pessoas são alvo de imposição e de julgamento. Em meio ao preconceito e ao conservadorismo que se vive, não faltou liberdade. A sensualidade tomou conta da cena. O sexo sem vulgaridade, sem banalidade, ou não. O vulgar também permitido, feromônios por todas as partes.

Ao fim, um debate cordial entre atores e público os aproximou mais ainda. A discriminação por escolha de gênero e os modos como nossos comportamentos são moldados e impostos pela sociedade e pela família renderam um bom bate-papo. Entre seres semelhantes e diferentes, o que não faltou foi gênero, nem diálogo, nem igualdade. Araci deixou sua marca, a originalidade de uma história que permite que todos tenham voz.

Texto: Rafaella Vieira.

Foto: Anderson Marcenes.

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