Todos os posts por Joao Vitor Bessa

16 jul 2017

O Milagre dos Peixes e o milagre econômico: um debate sobre a ditadura

 

“Você corta um verso, eu escrevo outro. Você me prende vivo, eu escapo morto”.  A letra de Paulo César Pinheiro, com melodia de Maurício Tapajós, faz alusão à luta contra a censura, às mortes e às perseguições e prisões arbitrárias ocorridas durante o Regime Militar, instaurado em 1964. O início da década de 1970 foi um dos períodos em que a censura mais se fez presente, em especial para os compositores e cantores.

Os compositores do Clube da Esquina não escaparam das repressões e intimações da Censura Federal, e o melhor exemplo desses vetos foi disco Milagre dos Peixes, de 1973, que teve três faixas censuradas. Do disco de Milton, foram censuradas as letras de “Os escravos de Jô” (de Milton Nascimento e Fernando Brant), “Hoje é dia de El Rey” (de Milton Nascimento e Márcio Borges) e “Cadê” (de Milton Nascimento e Ruy Guerra).

Com o intuito de discutir o tema e debater a vasta produção cultural brasileira da época, o músico e educador musical Klenio Daniel ministra a palestra Milagre dos Peixes – O Clube da Esquina durante os anos chumbo. Serão apresentados dados de dissertações, livros, discos e entrevistas com os integrantes do Clube da Esquina.

“A palestra, de uma forma geral, percorre uma linha do tempo que se inicia no Golpe de 64 até o Diretas Já, fazendo uma relação entre os desdobramentos desse período com a produção cultural dos integrantes do chamado Clube da Esquina e de alguns outros músicos próximos, a exemplo do Sirlan, que acredito ter sido um dos maiores prejudicados pela censura durante os anos de chumbo”, afirma Klenio. O palestrante se coloca como mediador e convida o público a contribuir durante a apresentação.

A oficina ocorrerá no dia 24 de julho, às 17h30, na Sala Multimídia do Centro Cultural UFSJ, Solar da Baronesa. A entrada é franca. É recomendado levar lápis, borracha, caderno, e “doações de LPs desses grandes músicos das Minas Gerais. Quem tiver com algum parado em casa pode doar”, brinca o músico.

Texto: Iara Furtado
Foto:

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16 jul 2017

Um pintor da voz latino-americana

 

Do lugar onde nasceu, cidade de Medellín, Colômbia, Julio Cesar Aristizabal pensou o universo latino-americano em toda a sua diversidade e quis transformá-lo em desenho. Desde criança, fascinado pela pintura, o jovem travesso pichava os muros da escola e, com o passar do tempo, foi se inspirando em seguir os passos da arte.

Hoje estudante de Artes Aplicadas na Universidade Federal de São João del-Rei, Julio Cesar foi atraído ao Brasil por amor à capoeira. Apesar de pouco mais de quatro anos morando no país, ainda carrega o sotaque espanhol. Nos primeiros passos da academia, passou pelo curso de graduação em Design Gráfico, em sua cidade natal. Todavia, considerou a área limitada, na medida em que segue uma perspectiva mercadológica, bem diferente da qual formou seu ideológico.

Grande admirador de Eduardo Galeano, escritor uruguaio que inspirou intelectuais progressistas e anti-imperialistas na América Latina, o pintor colombiano tem o intuito de reforçar a identidade dos minorizados da periferia do capitalismo.

“O mundo é isso. Um montão de gente, um mar de fogueirinhas. Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo”, dizia Galeano em seus versos. O nosso hermano Julio é uma dessas fogueiras revolucionárias.

Antes de pousar no Brasil, passou pela Faculdade de Bellas Artes de Medellín e participou de diferentes cursos de formação em artes. Conheceu o muralismo mexicano e se tornou um admirador da revolução desse país, inspirando-se em figuras como David Siqueiros, artista plástico e ativista político que retrata em suas obras um pedaço importante da história do México, e Diego Rivera, artista muralista que criticava a pintura de cavalete, defendendo que as obras não deveriam estar confinadas em acervos pessoais ou de público seletivo.

Além de excelente desenhista e artista plástico, Julio também se destaca na pintura mural de rua, tendo executado obras referências em Bogotá, Medellín e no Brasil – já expôs no Palácio das Artes e Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte.

Grande painel

No Inverno Cultural, fará a pintura de um grande painel intitulado Nativa Guarani, que tem o intuito de trazer ao centro a reflexão sobre a resistência indígena e exaltar os que antecederam o “descobrimento” da América. Com isso, coloca em foco a chama da estudante de Direito, ativista e defensora dos direitos e das terras indígenas, a Guarani-Kaiowá, Narúbia Werreira, figura que acendeu o interesse do pintor colombiano na pesquisa dos povos indígenas no Brasil. “Narúbia é uma figura que eu acredito que poderia representar muito bem o que os indígenas tentam nos falar, fazer-nos compreender umas coisas que ainda não compreendemos, falar coisas que ainda não temos percepção e que tem que ser ouvido no mundo inteiro”, ressalta Julio.

A exposição vai ocupar o Centro Cultural UFSJ no dia 23 de julho com as cores da resistência dos povos latino-americanos e, por meio do desenho, deve traçar mais uma faísca para acender a consciência dos presentes em torno dos comumente estigmatizados povos indígenas. Julio Cesar afirma que existe uma problemática latino-americana e até uma dívida com os povos que estavam aqui antes de nós. “Minha ideia com a pintura é falar, nem como colombiano, ou como colombo-brasileiro, mas como latino-americano. Minha proposta é mostrar que a América Latina tem uma identidade própria, em meio de todas essas misturas que temos, mas devemos ir lá atrás, mais ainda. Quero ir às raízes!”

Texto/Foto: Camila Campos

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15 jul 2017

Projeto ManObra: dando voz aos silenciados

 

O cotidiano e a cultura das populações periféricas são o tema central das composições do Projeto ManObra. O grupo belo-horizontino, que começou suas atividades há três anos, é formado por Anna Lages, Eduardo DW, Gleison Junio, Heberte Almeida, Raíssa Uchôa, Marcos Chagas e Manu Ranilla. Grande destaque da primeira noite do Inverno Cultural, 22, o Projeto sobe ao palco da Praça do Matosinhos às 22h. O show faz parte da turnê de lançamento do álbum A borda, lançado pelo grupo este ano, apresentando canções fortemente influenciadas pelo rap, funk e outros gêneros da música negra.

“A arte é uma poderosa ferramenta de conscientização política”, contam os integrantes ao site do Inverno. Em suas letras, o grupo canta a respeito de questões como o racismo e a desigualdade social, dando sempre destaque para aqueles que geralmente são silenciados: os habitantes da periferia e do sertão. Veja a conversa exclusiva com o ManObra.

Inverno Cultural: Como foi o processo de gravação do álbum?

ManObra: Apesar de já termos as músicas arranjadas, no processo de gravação elas sofreram algumas alterações por motivos técnicos e influências do diretor musical Sérgio Pererê. Foi um aprendizado para todos os envolvidos e principalmente para alguns integrantes que passaram por esse processo pela primeira vez. Tudo durou cerca de três meses, sendo que as gravações em estúdio duraram uns dois meses, a mixagem e a masterização um mês. Além dos integrantes, participaram o engenheiro de som Fabrício Galvani, o diretor musical Sérgio Pererê, A Napele Produções e os convidados João Paiva, Júlia Dias, DJ Sense, Leonardo Ramos e Daniel Guedes.

Vocês acreditam em conscientização política por meio da arte? De que forma o discurso político está presente em suas canções?

Sim. A arte é uma poderosa ferramenta de conscientização política. Em forma de metáforas e de forma bem direta, as letras falam da opressão que as minorias sociais sofrem. Na canção Ainda Pareço Suspeito, há um trecho que diz: “meu diploma não adianta, ainda pareço suspeito!”

Em relação à realidade social das periferias brasileiras, e principalmente da região em que vocês moram, quais são as pautas mais urgentes para o ManObra?

A questão da violência policial contra a população negra e suas manifestações culturais, como o Funk. E também o descaso com a segurança, saúde, cultura, educação. Acaba sendo inevitável tratar desses temas por serem tão presentes e recorrentes na nossa realidade. São questões que vivemos em nosso cotidiano. Digamos que é um mal que está estruturado em nosso país, e no mundo, que precisa ser enfrentado de várias formas. A música é uma delas.

Texto: João Vitor Bessa

Foto: Divulgação

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15 jul 2017

Gaymada, um espetáculo em que a homofobia não tem vez

 

Já imaginou um Campeonato Interdrag de Gaymada em São João del-Rei? Não sabe ainda do que se trata? A gente explica: oito times de seis pessoas compõem o jogo, mais a presença de quatro líderes de torcida, uma DJ e uma juíza. Durante os intervalos ocorrem as performances – shows – dos jogadores, que vão caracterizados a cada partida. Os times são formados de maneira aleatória, sem haver classificação de idade, etnia, físico e, principalmente, identidade ou orientação sexual.

O espetáculo  acontece em espaços abertos e se assemelha a campeonatos esportivos, mas o verdadeiro objetivo é  levar ao público de forma descontraída e suave discussões sobre a sexualidade.

É a primeira vez que o coletivo Toda Deseo traz a São João del-Rei o espetáculo, já realizado em algumas capitais como Belo Horizonte e Curitiba. A Toda Deseo é um coletivo de artistas mineiros, envolvidos com questões relacionadas às identidades de gênero. Suas ações de resistência, visam à  inclusão e luta contra o preconceito.  A gaymada  surgiu de uma reunião do coletivo e amigos que queriam ocupar espaços públicos da cidade no intuito de desmitificar a ideia de que a população LGBTQI só está presente à noite, nas boates.

“A expectativa é sempre positiva em relação às apresentações da Gaymada, o público é sempre muito diferente, mas sempre muito animado. Esperamos a  disposição das pessoas para o diálogo, para o jogo, para a ferveção’’, afirma um dos responsáveis, David Maurity.

A atividade vai ocorrer no dia 22 de julho, entre 17h30 e 18h, na praça Bom Jesus de Matozinhos, no bairro Matozinhos.

Texto: Michele Carvalho
Foto: Divulgação Gaymada

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06 jul 2017

Parcerias garantem oficinas gratuitas em instituições de São João e Tiradentes

 

Em 2017, além das 49 oficinas e quatro master classes, o Inverno Cultural fechou parceria com instituições de São João del-Rei e Tiradentes para garantir as Oficinas Associadas Gratuitas. Capoeira, Introdução Musical, Jogos Pedagógicos, Restauração, Malabarismo e Pintura com Terra fazem parte da programação.

Essas oficinas são oferecidas gratuitamente para toda a população e fazem parte de uma associação com entidades de conservação do patrimônio das cidades, que, juntas, promovem o resgate da cultura de patrimônio natural e histórico.

No Centro Cultural Sesi Yves Alves, em Tiradentes, será possível realizar uma redescoberta artística da Serra São José, na oficina de Pintura com terra. Nela, o recurso (tinta à base de terra) é extraído de forma não predatória, desenvolvendo um diálogo sobre a importância da preservação da área. As atividades serão mediadas pelo professor Alex Terra, para todas idades – uma ótima oportunidade para levar crianças e, pela pintura, desenvolver aspectos cognitivos, sensíveis e culturais de maneira lúdica. A oficina acontece no dia 22 de julho, às 14h. Também no mesmo local, vai ter Capoeira, ministrada pelo Mestre Prego, no dia 27, às 15h. O objetivo é mostrar um pouco da capoeira para o público infanto-juvenil. Para fechar a programação em Tiradentes, no dia 29, será realizada a Oficina de malabarismo, com Rogério Camara, especialista em Psicomotricidade, que trabalhará com o público (todas as faixas etárias) fundamentos básicos da manipulação de objetos clássicos do circo.

Já em São João del-Rei, o Memorial Tancredo Neves, a Escola de Música Cantábile e o Museu de Arte Sacra promovem atividades. De 24 a 27 de julho, a Banda Theodoro de Faria e a Escola de Música Cantábile promovem a oficina Aqui se aprende música. Das 15h às 16h30, crianças de 8 a 11 anos aprenderão conceitos básicos da música, sob a coordenação de Anizabel de Lucas. Basta comparecer à Rua Santo Antônio, nº 5, no bairro Colônia do Marçal com uma pasta polionda e uma flautinha doce. No mesmo dia, o Museu de Arte Sacra promove a oficina de Jogos pedagógicos. A pedagoga Ana Cristina Ferreira e sua equipe compartilharão com os pequenos diversos conceitos de identidade, memória, pertencimento e preservação por meio de jogos e brincadeiras. Para encerrar a programação dos parceiros em São João, no dia 27, às 14h, também no Museu, acontece a Oficina de restauração. É uma oportunidade única para reconhecer o valor cultural das manifestações artísticas de períodos passados, como o barroco e o rococó. O Museu fica na Rua Getúlio Vargas, 376, Centro.

Ficou interessado em saber mais a respeito das oficinas? Acesse www.invernocultural.com.br/guia-de-oficinas.

 

Texto: Thaís Fernanda de Souza

Foto: Anderson Marcenes

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06 jul 2017

Oficinas mais do que especiais

 

Qual o mistério em torno da área “Especiais”, uma das seis temáticas das oficinas? Feminismo, questões raciais, reciclagem e até escalada em rocha são algumas das abordagens das oficinas. A ideia é proporcionar ao público intervenções que causem discussão e aprendizado ao longo de todo o evento.

A coordenadora Aline Braga afirma que a procura pelas oficinas é grande e que existe uma preocupação em atender distintas faixas etárias, além de colocar em voga temas atuais. O feminismo, por exemplo, será abordado em Teoria e prática feminista: mudar a vida das mulheres para mudar o mundo. Serão dois dias de oficina em que o coletivo Carcará, composto apenas por mulheres, falará sobre vertentes feministas, análises e a condição da mulher na sociedade. Questões raciais, levantadas em Dandara além dia 20: diálogos sobre a negritude são-joanense, trazem um olhar atento à população negra, por meio de abordagem dinâmica, teatro, dança e rodas de conversa.

E não para aí! Escalada em rocha, uma das mais procuradas, oferece ao participante a oportunidade de conhecer  os equipamentos e treinar na prática a atividade. Duas outras oficinas abordam reciclagem, uma para crianças e outra para adultos. E tem ainda automassagem, chás, brincadeiras e jogos.

Ao todo serão oferecidas 14 oficinas na área temática “Especiais”. A taxa de inscrição é de R$ 15. Para se inscrever, acesse www.invernocultural.com.br/guia-de-oficinas até 9 de julho. O Inverno Cultural tem como uma das principais atividades as oficinas, que neste ano são divididas em seis temáticas – Artes Cênicas, Arte-Educação, Artes Visuais, Especiais, Literatura e Música.

Texto: Michele Carvalho

Foto:  Júnior Viegas

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