25 ago 2016

Desafios para desenvolver a cultura local

 

No dia 25 de agosto de 2016, o Fórum de Cultura encerrou a primeira edição com uma roda de conversa sobre os desafios de fomento à produção cultural em Minas Gerais. Os mediadores do bate-papo foram: o superintendente de Fomento e Incentivo à Cultura da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, Felipe Amado, e o diretor presidente da Fábrica do Futuro e diretor do Polo Audiovisual da Zona da Mata de Minas Gerais, César Piva.

Amado explicou os mecanismos de financiamento à cultura em Minas e mostrou os dados sobre a concentração de recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura (LEIC), a qual funciona por meio de renúncia fiscal via patrocínio com parte do INSS de empresas. No ano passado, dos R$84,35 milhões de renúncia fiscal, 73,07% foram para a região Metropolitana e 4,8% para as Vertentes. Segundo Amado, há um interesse maior de patrocinadores em expor as marcas na capital e também “um volume baixo de propostas apresentadas fora do Centro de Minas”.

O superintendente informou sobre as discussões que ocorreram dentro do Plano Estadual de Cultura. Dentre elas, está a necessidade de alterar a legislação do setor para o fortalecimento do Fundo Estadual de Cultura, a descentralização dos recursos para mais partes do Estado.

“De pedinte a ofertante de cultura e conhecimento”

César Piva mostrou a história de 15 anos para a estruturação do Polo Audiovisual da Zona da Mata. A rede de cooperação nasceu para promover a educação de jovens dentro do setor audiovisual e foi liderada pela sociedade civil, em parceria com o terceiro setor, universidade, empresas e governos. O grupo construiu um projeto cultural de longo prazo dentro da economia criativa e procurou estruturar políticas públicas para o desenvolvimento da região.

O Polo possui linhas de atuação para a gestão do conhecimento, formada por um estúdio escola e uma rede de cineclubes, e de criatividade, incentivando a produção anual e regional, de modo a construir um núcleo de profissionais e serviços em torno da gravação de filmes e curtas-metragens. Atualmente, vida editais, a cidade grava 12 longas e 60 curtas por ano.

Conforme Piva, o Polo cresceu por fases: a primeira focou na formação de pessoal para o audiovisual; posteriormente, os projetos foram estruturados para leis de incentivo; por fim, a linha de capacitação de empreendedores. Apesar desse percurso histórico, o gestor cultural afirma que só agora a infraestrutura começou a chegar. Em paralelo, foram criados um Consórcio entre as prefeituras para o sustento de parte do Polo e uma agência de desenvolvimento, ambos alinhados com permanentes fóruns de discussão.

O fomento do Polo ocorre dentro de um modelo que procura dar viabilidade às ações para além do tradicional prazo de um ano dos editais de incentivo à cultura. Piva esclarece que são firmadas parcerias trienais com empresas e indústrias localizadas na cidade, alinhando o desenvolvimento da cultura com o plano de negócios dos patrocinadores. Os projetos são debatidos e aprovados com as empresas antes mesmo da submissão às leis de incentivo.

Desenvolvimento da cultura local no longo prazo

Piva acredita que os rumos para a preservação das artes e culturas locais estão dentro de três questões básicas: Quem mobiliza? Qual é a “identidade”? Para quem? Para o gestor, os modelos de governança da cultura precisam ser construídos pela sociedade civil dentro de projetos de longo prazo e com frentes claras de ação. O primeiro passo, conforme o gestor, é juntar as lideranças para se transformar a cultural em uma causa social. O foco, segundo ele, está em pensar o futuro da cidade em torno da economia da cultura.

Veja a íntegra da palestra de César Piva no Fórum de Cultura

 


Diálogo e participação

A partir desses debates, a Pró-reitoria de Extensão da UFSJ realizou uma série de conversas com artistas locais, extensionistas e produtores culturais a fim de rever as ações para o Inverno Cultural 2017. Os encontros ocorreram ao longo de setembro de 2016.

13/9/2016 Conversa da PROEX com extensionistas da área de Teatro
  14/09/2016 Conversa da PROEX com extensionistas das áreas de Artes e Arquitetura
 15/09/2016 Conversa da PROEX com extensionistas da área de Música
16/09/2016 Conversa da PROEX com extensionistas da área de Jornalismo
Compartilhe:
0 Comment

Leave a Comment

Your email address will not be published.