11 jul 2017

Entre o campo e a resistência das minorias: o racismo no futebol

 

O futebol brasileiro é frequentemente relacionado a histórias de superação. Não é à toa que milhares de crianças negras de origem pobre, pouco representadas pelos “espetáculos midiáticos”, enxergam nesse esporte, mais precisamente em Neymar – e por que não Pelé? – e outros jogadores, uma referência de vida. Uma prova de que seus sonhos de periferia podem se tornar realidade.

Ainda que a representação do futebol brasileiro seja fortemente construída à imagem desses ídolos, criando uma falsa impressão de que o talento e o trabalho duro desses craques sejam uma pré-condição para o fim de qualquer tipo de discriminação, o racismo dentro e fora do campo persiste sendo um problema historicamente devastador.

A palestra A Integração das Minorias – Uma Visão do Negro no Futebol pretende compreender as questões étnico-raciais e a inserção de grupos minoritários nesse esporte. Como, apesar de terem transformado a história do futebol brasileiro, os atletas ainda enfrentam lutas contra esses estigmas no esporte.

O palestrante, Felipe Nunes, graduado em Engenharia pela UFSJ, atualmente se especializando em Futebol pela UFV, atua em um projeto na sua cidade natal, Mariana, que relaciona questões educativas com o esporte. Ele afirma que, em um levantamento das necessidades do aprendizado que deve ser transmitido, existe a relação do futebol com as minorias, sendo uma das bandeiras a batalha contra o racismo.

De fato, a educação e a conscientização são ferramentas poderosas na luta contra qualquer tipo de intolerância. Para Felipe Nunes, é necessário discutir questões como a resistência da sociedade sobre questões discriminatórias, o uso de xingamentos pejorativos direcionados a um jogador pela cor de sua pele. “São respostas que acredito que podem abrir a mentalidade de algumas pessoas para se adaptarem a uma sociedade que caminha, eu espero, para se tornar mais inclusiva”, afirma.

A palestra ocorre no próximo dia 22, sábado, no Centro de Referência Musicológica Prof. José Maria (Cerem), localizado na R. Mal. Bitencourt, 24, Centro), às 18h.

Texto: Jederson Rocha

Foto: Alberto Ferreira

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