20 abr 2017

Entrevista com Marcelo Rocco: cultura é persistência

 

“A cultura envolve o exercício constante de persistir e insistir.” Com esta afirmativa o professor do Curso de Teatro da UFSJ e coordenador na área de Artes Cênicas do Inverno Cultural, Marcelo Rocco, inicia esta conversa, mostrando seu olhar mais instigante sobre o fazer cultural. Presente no festival desde sua época universitária, ele comenta sobre o sentimento de afeto que possui em relação ao projeto: “Quando eu era estudante, dei duas oficinas e apresentei um espetáculo. Trabalho no Inverno desde 2011, tenho um carinho enorme pelo festival e fico muito feliz pelo caráter que ele está ganhando”.

O coordenador também comenta sobre as dificuldades enfrentadas pelo meio artístico devido à crise de fomento à cultura. Marcelo declara que, devido a essa situação, tanto artistas quanto festivais precisam repensar a forma como apresentam seus trabalhos. Na entrevista a seguir conheça um pouco sobre a relação do professor com o Inverno Cultural UFSJ.

Defina com poucas palavras:

  • Universidade: Partilha.
  • São João del-Rei: Relação entre o tradicional e o novo.

Qual a importância do festival para o cenário cultural da cidade?

Penso que ele é um dos eventos mais importantes de São João del-Rei por ser um momento em que há troca de conhecimentos, compartilhamento de ideias e contato entre diferentes grupos. Outro ponto interessante é a questão da acessibilidade. Trazemos produtos culturais que a cidade não teria acesso se não fosse pelo festival. E são essas trocas que dão sabor ao Inverno, que fazem com que ele sobreviva!

O que achou do tema “Universidade, Arte e Resistência: a cultura como um bem comum”?

A resistência é um tema que eu queria há muito tempo. Penso que ela está presente no Inverno Cultural quando damos continuidade ao evento, mesmo com pouco orçamento. Um exemplo disso está nos grupos teatrais que trazemos. Normalmente, eles não são grupos notadamente comerciais, mas, sim, de pesquisa. Grupos que, muitas vezes, sobrevivem de festivais. E o Inverno tem esse viés de resistência e formação.

Comente sobre o formato do Inverno Cultural UFSJ 2017.

Com a crise de fomento à cultura pela qual estamos passando, os artistas precisam estar mais disponíveis para renegociações. O Inverno em si já está nesse lugar de reinvenção. Em 2017 haverá apresentação de trabalhos autobiográficos com elementos performativos, em que há uma diluição entre o real e o ficcional e de compartilhamento mais íntimo com o espectador, ou seja, o toque, a co-presença, o olhar e a mediação com quem assiste a peça.

Texto: Alícia Antonioli.

Fotos: Alícia Antonioli, Victor Hugo e Leandro Nunes.

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