30 nov 2016

Rumos da cultura sanjoanense em debate

 

Na última segunda-feira (30), 32 artistas e produtores culturais da região participaram de uma roda de conversa para discutirem sobre novas possibilidades do panorama cultural em São João del-Rei. O encontro ocorreu no Centro de Pesquisa em Arte e Educação do Teatro da Pedra, como um desdobramento do Fórum de Cultura realizado há três meses pela Pró-reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários da UFSJ.

Diante das dificuldades enfrentadas pelo setor, os participantes da reunião criaram um coletivo para estruturação de políticas culturais de longo prazo para a cidade. A ideia é estabelecer projetos e ações que subsidiem infraestrutura, condições de atuação e autonomia para os artistas locais e regionais. Essa seria, na visão do grupo, uma maneira de enfrentar a atual conjuntura de cortes públicos no meio e a instabilidade causada em função disso.

Um dos assuntos em destaque foi a necessidade de se pensar a cultura municipal para além dos eventos pontuais. A inspiração vem do Conselho do Diretor do Pólo Audiovisual da Zona da Mata de Minas Gerais, César Piva, durante o Fórum de Cultura. Para Piva, os modelos de governança da cultura devem ser liderados e construídos pela sociedade civil, de forma a mudar a visão sobre os artistas: “devemos sair do papel de pedintes para ofertantes de cultura e conhecimento”.  

O coletivo entende que o reconhecimento da cultura começa em um trabalho de base, voltado para a formação, uso e produção de bens culturais. Segundo o diretor do Teatro da Pedra, Juliano Pereira, é fundamental ampliar o circuito de eventos culturais da cidade para bairros além do centro, utilizando espaços públicos já existentes. Ele defende a criação de um novo calendário: “nós (artistas) temos que construir a nossa gestão cultural em São João del-Rei, criando novos pontos e fortalecendo-os”.

O diretor do Teatro Municipal, Leandro Rocha, aponta a necessidade de se criar uma identidade a partir dos bairros, a fim de gerar uma interlocução entre nichos culturais, como música, teatro e dança, por exemplo. “Dessa forma, seria possível criar novas possibilidades, valorizando a cultura em diferentes locais da cidade”, afirma Rocha.

A definição de rumos para a cultura local, conforme o produtor cultural Pedro Lago, começa no mapeamento de como funcionam os quatro eixos que atravessam a cena artística:  cultural, social, financeiro e ambiental. “A partir desse fluxo de conhecimento e comunicação, se teria noção da dimensão cultural no município”, observa Lago.

Entraves dos editais de fomento

O grupo também comentou sobre o fato de modelos de fomento à cultura via editais (leis estaduais e Rouanet) serem excludentes para a maioria dos artistas. De acordo com o ator Flávio Reis, os artistas têm dificuldade de acessar o poder público por causa da forma como as regras e os projetos são disponibilizados.  

Próxima conversa

O coletivo decidiu realizar mais encontros para dar continuidade ao processo de desenvolvimento de um coletivo artístico e plural. A próxima reunião está marcada para segunda-feira, dia 12.

Texto: Alícia Antonioli.

Foto: Marlon de Paula.

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