17 jul 2017

No palco, as diversas formas de violência contra a mulher

 

O Teatro Municipal recebe, na programação do Inverno Cultural 2017, o espetáculo Rosa Choque, do coletivo Conectores. A peça aborda os diferentes tipos de violência contra a mulher, colocando em cena dois atores que trocam de papel e de signo, ao mesmo tempo em que convidam a plateia a participar da discussão sobre o tema sob novos pontos de vista.

Criada como cena curta em 2014 e lançado como espetáculo de longa duração em maio de 2015, a apresentação aborda o tema por meio de uma dramaturgia fragmentada sobre o assunto, para que ele possa ser tratado de diversas formas, com a inversão de papéis, utilização de trilha sonora e projeções mapeadas. Segundo Cristiane Moreira, atriz da peça, a ideia do espetáculo se deu a partir de depoimentos pessoais, fatos e notícias jornalísticas e o aumento das denúncias de violência contra a mulher.

A sinopse de Rosa Choque questiona: para além das diferenças físicas e biológicas, o que distingue homens e mulheres no imaginário da nossa sociedade? Em um mundo no qual essa violência está naturalizada, o debate por meios artísticos é um meio de levar novas perspectivas para as pessoas.

No texto, o debate é permeado por depoimentos pessoais dos atores, espectadores e homenagens a mulheres como Frida Kahlo, Simone de Beauvoir e Malala Yousafzai.

Esta é a primeira vez que o coletivo participa do Inverno Cultural. “Estamos muito felizes em compartilhar o espetáculo com a cidade de São João del-Rei. Esperamos que o público queira dialogar conosco sobre o tema, da mesma forma como queremos abrir esse diálogo com ele”, afirma Cristiane.

O espetáculo acontece no dia 23 de julho, às 19h, no Teatro Municipal (Rua Hermílio Alves, 170, Centro). As entradas são gratuitas e distribuídas uma hora antes da sessão, respeitando a ordem de chegada.

Sobre “Os conectores”

O coletivo Os Conectores foi criado em fevereiro de 2009 por artistas que desenvolvem trabalhos em diversas áreas, como teatro, artes visuais, música e audiovisual. Desde sua criação, esses artistas investigam, na integração entre suas áreas artísticas, a relação entre arte e direitos humanos e têm em sua trajetória experiência com ações artísticas de intervenção urbana, criações audiovisuais, performances, cenas curtas e espetáculos teatrais. Atualmente, o coletivo tem quatro integrantes fixos e realiza, em cada projeto, parcerias com outros artistas, espaços de criação e movimentos sociais da cidade de Belo Horizonte, promovendo assim uma rede de criação e compartilhamento de ações e de questionamentos sobre a nossa sociedade.

Violência contra a mulher

Segundo pesquisa divulgada pelo Datafolha neste ano, uma em cada três mulheres sofreram algum tipo de violência em 2016. A cada hora, mais de 500 mulheres brasileiras são vítimas de agressões físicas. Vinte e dois porcento das brasileiras sofreram ofensa verbal no ano passado, um total de 12 milhões de mulheres. Além disso, 10% das mulheres sofreram ameaça de violência física, 8% sofreram ofensa sexual, 4% receberam ameaça com faca ou arma de fogo. E ainda: 3% ou 1,4 milhões de mulheres sofreram espancamento ou tentativa de estrangulamento e 1% levou pelo menos um tiro.

Outro dado preocupante: a pesquisa mostrou que, entre as mulheres que sofreram violência, 52% se calaram. Apenas 11% procuraram uma delegacia da mulher e 13% preferiram o auxílio da família. E o agressor, na maior parte das vezes, é um conhecido (61% dos casos). Em 19% das vezes, eram companheiros atuais das vítimas e em 16% eram ex-companheiros. Mas agressão não é só física e ameaça não é apenas direta.

O que poucos sabem é que a violência doméstica vai muito além desses exemplos. A Lei Maria da Penha classifica os tipos de abuso contra a mulher nas seguintes categorias: violência patrimonial, violência sexual, violência física, violência moral e violência psicológica.

Texto: Iara Furtado

Foto: Divulgação Os Conectores

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