01 ago 2015

Os passarinhos de Gê

Os sons do Uirapuru Canto Livre trouxeram a harmonia da música brasileira para o palco do Teatro Usina Gravatá

Uirapuru. Pássaro de canto melodioso, parecido com uma flauta. Só é ouvido ao amanhecer, enquanto constrói o ninho para atrair a fêmea, durante uns 15 dias por ano. “Quando ele canta, a floresta se imobiliza para ouvi-lo”, explica o músico, compositor e cantor divinopolitano Gê Lara. Não é à toa que o nome do pássaro foi escolhido para nomear o grupo idealizado por ele há 14 anos. Na noite da última sexta de Inverno Cultural em Divinópolis, um lotado Teatro Gravatá desfrutou, imobilizado, as canções entoadas pelo Uirapuru Canto Livre.

Formado por crianças, homens e mulheres de todas as idades, o grupo mostrou o espetáculo Do rio, do mar, interpretando músicas ligadas ao tema do Inverno deste ano, canções folclóricas e grandes sucessos de Sá e Guarabira, Jovem Guarda e até uma versão em português de All you need is love, dos Beatles. “A água não é uma fonte tão inesgotável como a gente pensa. Não é só saber usar, é importante também saber reaproveitar,” declarou Gê. O músico, que conduzia o espetáculo anunciando as canções, numa conversa camarada com o público, celebrou os encontros familiares: mãe e filho, filha e mãe solando algumas canções.

E de onde surgiu a ideia do Uirapuru? “Acho que foi a grande missão da minha vida.” Sempre gostou muito de cantar para crianças, e de estar entre elas. Apesar de aberto a todas as idades, o grupo carrega a bandeira do incentivo à musicalização infantil, levando a beleza da música brasileira para crianças a partir dos quatro anos. “Acredito que fazemos um trabalho de resgaste cultural e do nosso folclore, ou seja, da nossa identidade.”

Presente em projetos importantes como concertos natalinos e festival de corais, o Uirapuru Canto Livre lançou dois álbuns: Era uma vez (2006) e Lua de brincar (2011). O terceiro, intitulado Viva Bituca, uma homenagem ao cantor Milton Nascimento, está em andamento. “No Inverno Cultural de 2013, fizemos uma participação no show do Milton em Divinópolis, cantando canções dele que nos acompanham desde o nosso início. Daí surgiu a ideia dessa homenagem.”

Inevitável não se render à emoção quando os passarinhos de Gê soltaram a voz no teatro. Foi um sonoro encontro musical entre criança e adulto, pais e filhos, numa sintonia capaz de alegrar nossos corações. “Impressionante a diversidade do coral, todas as vozes harmonizadas numa unidade gostosa de escutar”, afirmou a missionária Andrea Camargos.

Texto: Sarah Rodrigues.

Foto: Anderson Marcenes.

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