21 jul 2015

Os sons de Badi

Badi Assad surpreendeu público do Inverno Cultural com sua maneira única de fazer música

O cansaço do final de semana não intimidou o público são-joanense que compareceu à Avenida Tancredo Neves sedento por mais uma dose de boa música. O motivo: Badi Assad. Cantora e violonista com mais de 25 anos de carreira e reconhecimento internacional, ela foi a atração principal da noite da primeira segunda do 28º Inverno Cultural UFSJ. Com um banquinho e um violão, o palco imenso ficou pequeno para seu estado de espírito contagiante.

Logo nos primeiros acordes de seu inseparável instrumento, acompanhado por uma voz que fez todo o público se exaltar, surgiu a dúvida: Badi é mais violonista ou mais cantora? A resposta é: nenhum dos dois. Com o mesmo talento que conduz o violão a partir de sua formação erudita, ela projeta o som de sua voz de maneiras as mais inusitadas. Sozinha, ela é uma banda de uma pessoa só. Não fazem falta os instrumentos dos inúmeros companheiros de gravação. Em seus lábios coexistem, impressionante, a voz que embala suas canções com uma variedade inimaginável de sons.

Conversando o tempo todo, Badi apresentou repertório que incluiu grandes músicas do cancioneiro popular como “Ai, que saudade d’ocê”, de trabalhos mais recentes como Pega no Coco (amor e outras manias crônicas) e de seu álbum infantil Cantos de Casa, “Qual é da água?”. Badi escolheu sua setlist pensando naquilo que funcionava para grandes palcos em espaços abertos, conquistando os espectadores logo de cara, para se permitir depois fazer experimentações, que incluíram uma versão inteira percussionada com o corpo de “Anunciação”. Sabedoria de quem tem mais de duas décadas de carreira e já passou por públicos de todos os tipos, em todos os lugares do mundo.

Na segunda metade do show, Badi sai das grandes canções para incursões mais intimistas. Em “Apimentados momentos”, um desabafo desesperado e envolvente: os berros e gemidos, de tão excêntricos, se tornam fascinantes, vindos do íntimo da artista envolvida em fumaça e luzes azuladas. O público recebeu a performance com gritos de aprovação e aplausos. No final, a humildade de soletrar o próprio nome para ouvintes de primeira viagem conviveu com a presença daqueles que já conheciam a diversidade da artista. “O show dela é fantástico, ela é uma excelente cantora e violonista indiscutível”, opina Nado Serafim, músico que já acompanhava o trabalho de Badi e de seus irmãos do Duo Assad.

Sempre ligada

Badi escreve semanalmente uma coluna na revista TOP Magazine, fazendo homenagens a artistas que tocam seu coração. Em sua página do Facebook, compartilha indicações de leituras para seus fãs e responde às perguntas e relatos de carinho. Tendo o ativismo presente em sua vida, aprovou a escolha de “cultura da água” como tema do Inverno Cultural: “O artista pode tirar proveito de seu acesso à população, escolhendo as músicas que canta e as ideias que quer passar. Passamos essa informação por amor e emoção, contagiando as pessoas nesse nível também, que ultrapassa o filosófico. Assim, o público pode ficar atento a outros assuntos que fogem do que se espera normalmente da cultura”, explica.

Mais cedo, na mesma segunda, a cantora participou de um bate-papo no Auditório do Campus Santo Antônio da UFSJ. Irmã de Sérgio e Odair, que formam o Duo Assad, dupla referência para violonistas do mundo todo, ela contou que o DNA da música sempre esteve na família. Querendo antes ser bailarina, viu no violão a possibilidade de se aproximar do pai enquanto os irmãos já começavam a fazer sucesso. Aos 15 anos, ganhou um concurso com ajuda do irmão Sérgio, que desenhou as posições das mãos que ela deveria fazer para tocar o instrumento. Esse foi o início dos 25 anos de carreira, que lhe renderam 14 álbuns, parceiras memoráveis, reconhecimento internacional e o encanto dos públicos por onde passa.

Texto: Luana Levenhagen e Fernanda Rezende

Foto: Alisson Macedo

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