20 jul 2015

Produto Interno Bruto: comprando soluções para conflitos humanos

Artista plástico promoveu reflexão sobre consumismo e valores por meio de seus produtos imaginários

Aerotedicida: remédio antindutor de tédio, feito para acabar com momentos enfadonhos, que consiste em pílulas de plástico-bolha. Sacroaqua: detergente à base de água-benta para desinfetar a alma dos pecados. Esses e outros produtos puderam ser conferidos na exposição PIB – Produto Interno Bruto, do artista plástico Lucas Carvalho. Formado pela Escola Guignard e mestre pela Escola de Belas Artes da UFMG, Lucas realizou sua primeira exposição individual em março de 2011, na Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP), além de já ter sido premiado em exposições coletivas, festivais de cinema e concursos literários.

Com um senso irônico aguçado e uma boa dose de criatividade, Lucas construiu uma série de produtos para uma sociedade alicerçada num consumismo que vai muito além dos objetos: ao comprar, buscamos os valores embutidos detrás das coisas. “Um comercial de cerveja vende felicidade, sexo, aceitação social. Só não vende cevada fermentada”, comenta o artista. Recriando objetos comuns do nosso cotidiano, a exposição reuniu produtos hipotéticos que, no entanto, reorganizaram as funções dos objetos de origem, transformando-os em resoluções para alguns dos fantasmas humanos como a depressão, os problemas financeiros e os conflitos morais.

“Trabalho com as ideias do dinheiro, da fé, de um propósito de vida, da memória”, explica Lucas. Desconstruindo conceitos arraigados no imaginário humano, o artista apenas indicou caminhos de interpretação: nenhuma das 45 obras foram rotuladas; coube ao visitante estabelecer seu entendimento. “Idealmente falando, não espero despertar uma reflexão específica, mas muitas. Respostas, se existirem, cabe ao público descobrir.” Entretanto, para o bom observador, a PIB pôde conduzir a uma interessante reflexão sobre os valores que regem o homem atual.

Observar a pinta adesiva, que é também um ponto final para conversadores excessivos, ou o capacete contra ideias fracas, não induziu apenas a uma crítica ao consumismo, mas também a uma visão ampliada do sistema que integramos e do nosso papel de agentes dentro desse sistema. O que somos? O que consumimos? O que desejamos? E por que agimos assim? Em cada um dos produtos-obra, uma parcela dessas perguntas pôde ser, se não respondida, ao menos investigada.

EXPOSIÇÃO

Produto Interno Bruto PIB

Local: Museu Regional de São João del-Rei

Dia: 19 de julho

Horário: 19h

Texto: Sarah Rodrigues.

Foto: Alisson Macedo.

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