15 jul 2017

Projeto ManObra: dando voz aos silenciados

 

O cotidiano e a cultura das populações periféricas são o tema central das composições do Projeto ManObra. O grupo belo-horizontino, que começou suas atividades há três anos, é formado por Anna Lages, Eduardo DW, Gleison Junio, Heberte Almeida, Raíssa Uchôa, Marcos Chagas e Manu Ranilla. Grande destaque da primeira noite do Inverno Cultural, 22, o Projeto sobe ao palco da Praça do Matosinhos às 22h. O show faz parte da turnê de lançamento do álbum A borda, lançado pelo grupo este ano, apresentando canções fortemente influenciadas pelo rap, funk e outros gêneros da música negra.

“A arte é uma poderosa ferramenta de conscientização política”, contam os integrantes ao site do Inverno. Em suas letras, o grupo canta a respeito de questões como o racismo e a desigualdade social, dando sempre destaque para aqueles que geralmente são silenciados: os habitantes da periferia e do sertão. Veja a conversa exclusiva com o ManObra.

Inverno Cultural: Como foi o processo de gravação do álbum?

ManObra: Apesar de já termos as músicas arranjadas, no processo de gravação elas sofreram algumas alterações por motivos técnicos e influências do diretor musical Sérgio Pererê. Foi um aprendizado para todos os envolvidos e principalmente para alguns integrantes que passaram por esse processo pela primeira vez. Tudo durou cerca de três meses, sendo que as gravações em estúdio duraram uns dois meses, a mixagem e a masterização um mês. Além dos integrantes, participaram o engenheiro de som Fabrício Galvani, o diretor musical Sérgio Pererê, A Napele Produções e os convidados João Paiva, Júlia Dias, DJ Sense, Leonardo Ramos e Daniel Guedes.

Vocês acreditam em conscientização política por meio da arte? De que forma o discurso político está presente em suas canções?

Sim. A arte é uma poderosa ferramenta de conscientização política. Em forma de metáforas e de forma bem direta, as letras falam da opressão que as minorias sociais sofrem. Na canção Ainda Pareço Suspeito, há um trecho que diz: “meu diploma não adianta, ainda pareço suspeito!”

Em relação à realidade social das periferias brasileiras, e principalmente da região em que vocês moram, quais são as pautas mais urgentes para o ManObra?

A questão da violência policial contra a população negra e suas manifestações culturais, como o Funk. E também o descaso com a segurança, saúde, cultura, educação. Acaba sendo inevitável tratar desses temas por serem tão presentes e recorrentes na nossa realidade. São questões que vivemos em nosso cotidiano. Digamos que é um mal que está estruturado em nosso país, e no mundo, que precisa ser enfrentado de várias formas. A música é uma delas.

Texto: João Vitor Bessa

Foto: Divulgação

Compartilhe:
0 Comment

Leave a Comment

Your email address will not be published.