26 jul 2015

São João e Divinópolis assistiram Navalha na Carne

Alunos do curso de Teatro da UFSJ encenaram narrativa de Plínio Marcos

No dia 25 de julho, a Companhia Detalhes de Teatro apresentou, em São João del-Rei, o espetáculo Navalha na Carne, direção de Reginaldo Bastos. A peça foi escrita em 1967 pelo “maldito’ Plínio Marcos, e retrata a vida de três personagens: o cafetão Vado, a prostituta Neusa Sueli e o homossexual Veludo. A montagem foi parte do trabalho de conclusão de curso dos alunos de Teatro da UFSJ: Samuel Leal, Sanderson Leal, Luciana Munizz e Reginaldo Bastos. A apresentação, no Inverno, ocorreu às 19h na Sala Preta, Campus Tancredo Neves.

Divinópolis também recebeu o espetáculo, no dia 29 de julho, às 18h, no Teatro Municipal Usina Gravatá.

A atriz Luciana Munizz, que vive Neusa Sueli, contou que a Companhia está realizando o espetáculo desde 13 de dezembro de 2014. Esta foi a primeira vez que se apresentou em Divinópolis, para o que a atriz se mostrou entusiasmada: “Nossa expectativa é muito grande. Poder levar nosso trabalho para outras cidades é o nosso principal objetivo, e esperamos casa cheia. Queremos que o público conheça Navalha na Carne, e compartilhe com a gente os grandes momentos da peça.”

O espetáculo

O texto de Plínio Marcos apresenta, de uma forma intensa, os conflitos diários do cotidiano. A história se passa em um hotel barato, onde Vado explora Neusa Sueli, que por sua vez ordena que ele a satisfaça. Para conseguir favores com o rapaz do bar, o empregado Veludo rouba o dinheiro que a prostituta havia deixado para o cafetão.

Para o crítico teatral Sábato Magaldi, as peças de Plínio Marcos denunciam, implicitamente, as mazelas cotidianas do submundo, e se aprofundam na narrativa crua dos dilemas que caracterizam as leis da malandragem. “Navalha na Carne mostra uma corrente de absurdos em que todos são algozes e vítimas. Todos compram e se vendem nesse universo de reificação”, destaca o crítico.

Raramente, na opinião de Magaldi, uma peça teatral apresenta tão maravilhosa adequação entre diálogo e personagens. “O patético retrato do submundo se amplia para o macrocosmo do duro relacionamento na vida atual. Despidas de valores que transmitem transcendência à aventura humana, as personagens exemplificam o horror da exploração, quando um se converte em objeto para o outro e só resta o gosto da miséria”, analisa Magaldi.

De acordo com Luciana Munizz, o que mais chamou sua atenção na obra de Plínio Marcos foi a simplicidade do texto, a forma direta com que chega ao público e ao leitor. “Plínio Marcos é uma referência.” O objetivo da Companhia foi fazer o público refletir sobre temas polêmicos e reais, os quais, rotineiramente, são mascarados pelas regras sociais. A intenção foi, segundo Luciana, seguir a mesma linha de pensamento de Plínio Marcos: não fazer teatro para o povo, mas a favor do povo, com a consciência dos riscos: “Fui perseguido pela censura, mas fiz por merecer.”

Texto: Fernanda Rezende.

Foto: Anderson Marcenes.

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