13 jul 2017

Uma imprensa alternativa: o fanzine

 

Quarta-feira, 18 de junho de 1975. Caratinga. Numa época em que o máximo que as casas tinham era um radinho ligado o dia todo e uma TV à noite, o acesso às informações em larga escala como se dão hoje em dia era bem escasso. Foi então que, nessa data, Camilo Lucas e seu amigo Márcio Soares Batista lançaram a primeira edição da revista Jararaca Alegre. A tiragem era de pouco mais de 50 exemplares, feita no mimeógrafo a álcool, que não permite muito mais que isso. Divulgava assuntos de interesse dos estudantes, brincadeiras, humor, festas, com espírito bem adolescente. Era o porta-voz da “juventude” de Caratinga no fim dos anos 1970 e início dos 1980.

A Jararaca Alegre é considerada o fanzine vivo mais antigo do Brasil, com mais de 40 anos de história. Voltado para o humor, literatura e rock and roll, atualmente conta com aproximadamente 30 colaboradores, de Caratinga e diversas partes do Brasil, que são cartunistas e escritores que foram conhecendo a revista ao longo de sua trajetória. “A cada edição, enviamos uma pauta para alguns, e outros mandam o trabalho que quiserem, sem pauta mesmo, ou até mesmo nos autorizam a escolher algo em seus blogs e sites para publicar”, diz Camilo. Ele conta que o nome do zine surgiu de uma historinha de Walt Disney. “As bruxas Maga Patalógica e Madame Min iam participar de uma convenção das bruxas na cidade de Jararaca Alegre. Achei muito engraçado e acabei batizando o jornal e a personagem, e acabou pegando”, afirma o artista.

Apesar de terem se passado quatro décadas, a distribuição da revista continua sendo de mão em mão. São feitos lançamentos de cada edição nas várias cidades onde há colaboradores, e nesses lançamentos as pessoas adquirem ou ganham seu exemplar. Existem também os exemplares que são distribuídos em cafés e barzinhos culturais em várias cidades. O Jararaca Alegre também participa de eventos como a BH Beatle Week, na qual é a revista oficial, e até mesmo o Inverno Cultural.

Apesar de já ter passado pelas fases de mimeógrafo, xerox, off-set e colunas de jornal, a partir de 2000 o fanzine zerou suas numerações para começar uma nova série, mais profissional. “O acabamento hoje está gourmetizado mas o espírito ainda é de fanzine” brinca Camilo. Todas as edições da revista, desde 1975, foram disponibilizadas no site do Jararaca Alegre pelo link www.jararacaalegre.com.br.

Presente neste Inverno Cultural, Camilo Lucas traz uma discussão e mais histórias sobre o zine mais antigo do País. A palestra A estética dos fanzine – 40 anos da Jararaca Alegre acontece no dia 25 de julho, às 19h, no Barteliê (Rua da Cachaça, 15, Centro).

Os Fanzines

O fanzine surgiu por volta da década de 1940, quando poetas divulgavam seus trabalhos por meio deste. São publicações impressas, autorais e independentes. Geralmente quem o produz pode expressar suas ideias sem restrições.

Existem fanzines confeccionados artesanalmente, reproduzidos à base de fotocópia, impressos em gráficas, preto e brancos ou coloridos e digitais. O que eles têm em comum é o fato de terem tiragens limitadas e não serem  distribuídos largamente em bancas ou livrarias como revistas habituais. Como o conteúdo é exclusivo, o fanzine acaba se tornando especial e colecionável. A revista como é conhecida hoje em dia, surgiu por volta da década de 1970, junto com o movimento punk e com o advento das ficções científicas.

Texto: Iara Furtado

Imagem: Divulgação Jararaca Alegre

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